Sejam Bem-Vindos ao meu blog.

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Lua

Fase IX: Aquela que em mim reside

O som dos passos do cavalo na planície lembraram-me cada estrela que existe no céu desta minha longa noite. Quando piso a poeira dos caminhos, é sempre à volta do firmamento que giram meus olhares.

Todos os astros do mundo residem no meu coração como tantas lágrimas ou esmeraldas, consoante estou triste ou repleta de alegria. Trago em mim as tristezas mais secretas, mais fúteis do universo. Mas semeio também as luzes mais puras nos corações. Em busca de um amor que sou a única a conceber, percorro o mundo há séculos em incansável sonhadora, encontrando força para continuar nas almas puras. A minha juventude está intacta, preservada por séculos de virtude.

A minha preocupação não é o ouro, nem o tempo, nem a morte que assusta tanto os Homens, mas o amor, a beleza e a poesia. Também, não posso morrer: o infinito é meu companheiro de estrada. Distante de vossas leis, reino em soberana sobre as vossas noites, os vossos sonhos, o imaginário.

Por vezes esticam-me a mão sob a Lua: tomo a forma de uma paisagem, de um doce fogo, de uma vela. Lá, apareço na minha infindável verdade.

Prossigo a minha estrada a cabeça nas constelações ao encontro das almas puras.

Sou uma tola de amor, um espectro, uma chama que atravessa o tempo, pendurada às reencarnações. Viajo de alma em alma. O ser cuja respiração possuo hoje é a autora destas linhas que está a ler.

Tomei possessão dela e tomo a palavra através da sua escrita.

O meu nome é ...


Fase VIII: Um sonho acordada

Aquando de um passeio nocturno à cavalo, confrontei-me com uma bem estranha aventura.

Cavalgava a frouxo andamento sob a lua, embalada pelo som monótono e suave das ferraduras da minha montagem cujo eco parecia poesia no campo.

Melancólica, sonhei com a amada improvável cuja chegada tardava. Mas rapidamente acalmada pelo passo enfraquecido do animal, descansei minha cabeça contra sua nuca. O suave Morpheu levou-me rapidamente, enquanto permanecia meio deitada sobre o cavalo que continuava sua cavalgada. E o sonho apoderou-se das ilusões amorosas... A visão onírica tomou forma, virando alucinação, e acreditei ter visto minha amada de verdade.

Caminhava a meu lado, metamorfoseou-se de forma imperceptível numa égua magnífica: os seus cabelos de ouro alteraram-se em crina. Montei-a, tão emproada quanto comovida. De imediato iniciou uma cavalgada impetuosa para voar em direcção ao astro da noite.

Crina ao vento e boca repleta de espuma, lançou-se nos ares, frenética. Meus esporões cintilavam no clarear da lua, sua crina ondulava orgulhosamente, o vento fresco esbofeteava minha face. Uma alegria inédita inundou-me.

Fiquei zonza nesse salto vertiginoso, os dedos agarrados à sua crina em luta. Atingindo o zénite, num longo relinchamento que a fez curvar com graça sobre o fundo das estrelas, comunicou à lua a sua felicidade de sulcar o firmamento a meu lado, ela égua voadora, eu transeunte sideral.

Por último, num turbilhão furtivo desaparecíamos nas estrelas.

Retomando rapidamente meus sentidos, apercebi-me que me tinha extraviado durante o meu curto sono sobre as costas do cavalo que, impassível, tinha continuado o seu andamento. E, voltando sobre os meus passos, fixava a lua que iluminava o meu caminho, pensativa, o ar dubitativo...

Comovida.

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